
Título: A Revolução dos Bichos
Autor: George Orwell
Edição lida: Companhia das Letras, 1ª edição (janeiro, 2007)
Páginas: 152
Gênero: Clássicos de Ficção.
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Minha resenha
O lançamento recente da adaptação em animação para os cinemas, dirigida por Andy Serkis, lançada em 28 de maio de 2026, me fez lembrar de quando li esse livro um tempo atrás — uma das leituras mais impactantes que já fiz. Esse filme foi o empurrão que eu precisava para resenhar, A Revolução dos Bichos. Ler esse clássico do século XX nos dias de hoje nos faz imergir em pensamentos profundos sobre o comportamento humano e as estruturas de poder, questionando como tudo aquilo pôde acontecer — e ainda repercutir tanto.
A história se passa em uma fazenda onde os animais, após sofrerem anos de exploração e abuso por parte de seu dono humano, o Sr. Jones, se rebelam e tomam o controle da propriedade. Antes disso, os bichos viviam sob o domínio tirânico de Jones, um homem negligente. É então que o porco Old Major, respeitado por todos devido à sua sabedoria, compartilha um sonho de revolução: um mundo onde os animais se libertam dos humanos e vivem livres da exploração. Ele convoca uma reunião secreta, lança a ideia da rebelião e morre logo depois. Seus ensinamentos, batizados de “Animalismo”, passam a servir de guia para os outros animais.
A rebelião se concretiza sob a liderança de Napoleão, um porco astuto e calculista, e Snowball, inteligente e idealista. Após expulsarem os humanos, a propriedade é renomeada como “Fazenda dos Animais”. A partir daí, os porcos assumem a liderança com a promessa de que todos seriam iguais e que a fazenda seria um modelo de prosperidade e justiça social.
“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros.”
No entanto, com o tempo, o poder corrompe os novos líderes. Napoleão expulsa Snowball e passa a governar de forma autoritária. Ele usa cães ferozes para garantir a obediência e manipula a todos com a propaganda e as mentiras disseminadas por Squealer, um porco mestre na retórica e na distorção da verdade.
A promessa de igualdade começa a ser diluída. Os porcos passam a adotar comportamentos cada vez mais humanos: mudam-se para a casa grande, vestem roupas e até negociam com os homens. A famosa máxima inicial, “Todos os animais são iguais”, é modificada a ponto de ganhar o infame acréscimo: “…mas alguns são mais iguais que outros”.
“A liberdade, se é que significa alguma coisa, significa o nosso direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.”
A fazenda, criada para ser um lugar de justiça, transforma-se em um regime opressor, onde os animais trabalham incansavelmente enquanto os porcos desfrutam de privilégios. O clímax da obra ocorre no final, quando os bichos observam os porcos jogando cartas e jantando com os humanos. Ao olharem de um para o outro, eles percebem, horrorizados, que já não conseguem mais distinguir quem é homem e quem é porco. A revolução acabou por colocá-los sob uma nova forma de tirania.
O desfecho nos faz lembrar da famosa premissa de Karl Marx de que “a história de todas as sociedades até hoje é a história da luta de classes”. Porém, aqui, Orwell nos mostra o que acontece quando a nova classe que assume o poder se corrompe e repete os erros do passado.
Em suma, a trajetória da Fazenda dos Animais serve como uma poderosa reflexão sobre a fragilidade dos ideais utópicos e a facilidade com que o poder absoluto corrompe. Com uma narrativa simples, mas cirúrgica, Orwell nos deixa um alerta atemporal e necessário: o perigo da concentração de poder e a importância da vigilância constante contra a tirania — venha ela de onde vier.
Sinopse da editora (clique)
“Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan “Quato pernas bom, duas pernas ruim”.
Mas não demora muito para que alguns bichos — em particular os mais inteligentes, os porcos — voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força.
Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura stalinista que a inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu.”

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✨ “Entre mundos e palavras, cada página é uma nova jornada.”
Até a próxima resenha.
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