Confesso que cheguei a este livro com um pé atrás quando eu li. Entre o hype do filme e todo mundo falando sobre “otimismo excessivo”, imaginei que seria mais uma daquelas histórias clichês de superação. Mas, como sempre digo, preciso experimentar para formar minha própria opinião — e cá estou, com a resenha honesta de quem leu sem muitas expectativas.

“Quanto mais tempo você passa sozinho, mais estranho fica.”

O livro me pegou desprevenido: a voz narrativa de Pat é incrivelmente autêntica. Quick acerta em mostrar a mente de alguém em recuperação sem romantizar ou caricaturar.

O que mais gostei foi como o autor desconstrói a ideia de felicidade perfeita. A obsessão de Pat por “ver o lado bom” vira justamente o que precisa ser questionado. Me surpreendeu como, por trás do título aparentemente clichê, há uma crítica profunda aos padrões impossíveis que criamos para nós mesmos.

Tiffany merece destaque — longe de ser a “manic pixie dream girl” que eu esperava, ela tem camadas e problemas reais que a tornam humana.

“A vida não é um filme. Acaba, e ponto final.”

Em alguns momentos, a repetição dos rituais e obsessões de Pat cansou um pouco. Entendo que era para mostrar a natureza obsessiva do personagem, mas em certos capítulos senti que a história não avançava.

Achei desnecessário como alguns personagens secundários ficaram planos — principalmente os amigos de Pat, que pareciam mais figurantes que pessoas reais.

E vou ser franco: o final me deixou com sentimentos mistos. Sem spoilers, mas depois de tanta construção realista, a conclusão pareceu um pouco… conveniente demais?

Dói olhar para as nuvens, mas também ajuda, como a maioria das coisas que causam dor.

O livro é recomendado para quem gosta de narrativas psicológicas profundas, pessoas que buscam histórias sobre resiliência sem açúcar e fãs de personagens complexos e bem construídos.

E não é recomendado para quem busca um romance leve e descomplicado, pessoas em momentos muito frágeis (pode ser triggering) e leitores que preferem ritmo acelerado.

Não é perfeito, mas vale cada página. O livro me fez refletir sobre quantas vezes buscamos uma felicidade de fachada em vez de aceitar nossa complexidade. Quick consegue falar sobre saúde mental sem didatismo chato ou romantização barata.

Edição lida

Titulo: O lado bom da vida

Autor: Matthew Quick

Edição: 1º edição (janeiro, 2013)
Editora: Intrínseca

Páginas: 320.

Gênero: Romance.

Sinopse do livro pela editora

Pat Peoples, um ex-professor de história na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”. Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, sua esposa negando-se a aceitar revê-lo e seus amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora um viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. À medida que seu passado aos poucos ressurge em sua memória, Pat começa a entender que “é melhor ser gentil que ter razão” e faz dessa convicção sua meta. Tendo a seu lado o excêntrico (mas competente) psiquiatra Dr. Patel e Tiffany, a irmã viúva de seu melhor amigo, Pat descobrirá que nem todos os finais são felizes, mas que sempre vale a pena tentar mais uma vez. Um livro comovente sobre um homem que acredita na felicidade, no amor e na esperança.

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Fonte: Imagens e informações retirado do livro e no site Amazon

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✨ “Entre mundos e palavras, cada página é uma nova jornada.”

Até a próxima resenha.


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