Título: O Começo de Tudo

Série: Wild Cards #1

Autor: George R. R. Martin

Edição lida: LeYa, 1ª Edição (maio, 2013)

Páginas: 480

Gênero: Antologia, Distopia, Fantasia, Ficção Cientifica.

…

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Leitura

Se você curte os livros do George R. R. Martin ou está atrás de uma nova aventura no mundo da fantasia, essa série pode ser uma ótima pedida. O enredo abre um leque enorme de possibilidades, com personagens que não se encaixam apenas em heróis ou vilões — muitos transitam entre os dois lados. É como acompanhar uma campanha de RPG que ganhou vida em forma de saga.

Não vou mentir: não foi um daqueles livros que me fizeram perder o sono de tanto querer virar a página, mas ainda assim me prendeu o suficiente para já começar o próximo volume. Vale dizer que, mesmo não sendo o único autor (acho que o George escreveu apenas uns dois capítulos que me lembro), ele está por trás da edição. E é justamente aí que dá para sentir a mão dele — os detalhes, a forma como as histórias se entrelaçam, tudo isso traz aquela sensação de cuidado e consistência que só ele sabe dar.

“… submundo triste da vida dos curingas… teria recusado, tanto por ignorância quanto por repulsa… Rostos horrendos… brigas de facas entre membros de gangues… Deformidade, desespero e drogas se misturavam aos cheiros de água salgada, graxa e peixe podre.”

Em 1946, o mundo mal se recuperava da Segunda Guerra quando uma bomba alienígena caiu em Nova Iorque, espalhando um vírus capaz de transformar pessoas em heróis ou em monstros. De repente, a linha entre poder e deformidade, glória e perseguição, nunca mais seria a mesma.

Aos poucos, a população vai descobrindo os efeitos dessa contaminação: alguns ganham poderes incríveis e passam a ser chamados de Ases; outros, deformados ou com habilidades estranhas e dolorosas, se tornam os Coringas.

Um detalhe que me prendeu foi um personagem que, de tão instável, acordava cada dia diferente — ora Ás, ora Coringa. Imagine viver assim, sem saber se no próximo amanhecer você seria um herói ou um monstro? Ele acabou virando o próprio inimigo de si mesmo, e isso deixou a história ainda mais intrigante.

Com o tempo, o medo tomou conta. O Senado criou o famoso Comitê de Atividades Antiamericanas, que basicamente iniciou uma caça às bruxas contra os Coringas. Quem não colaborava ou “dedurava” outros, era preso. E não parou por aí: aprovaram as Leis das Cartas Selvagens, obrigando os Ases a trabalhar como cães de guarda do governo sob ameaça de prisão. Enquanto isso, os Coringas eram marginalizados em um bairro só deles — um lugar cheio de crime, dor e abandono. Confesso que fiquei do lado deles, porque a maioria não escolheu ser deformada ou carregar poderes horrendos.

E no meio de tudo isso ainda existe um médico (supostamente alienígena) que vive entre os Coringas e carrega a culpa de ter causado toda essa tragédia. Mesmo assim, ele tenta ajudar, como se buscasse redenção.

“O desgraçado ainda cospe veneno, o que é um bom talento para se ter quando se
perambula pelo Bairro dos Curingas à noite.”

O que achei interessante é que o livro não é uma única narrativa, mas sim um mosaico de histórias de diferentes pessoas que foram atingidas pelo vírus. Cada capítulo é escrito por um autor diferente — e, claro, editado pelo George. Isso dá uma diversidade enorme de vozes e estilos, mas também pode confundir um pouco. Várias vezes terminei um capítulo pensando: “isso aconteceu antes ou depois daquela cena?”. Essa quebra de linha temporal às vezes me deixou meio perdido.

Outro ponto é que a qualidade varia bastante. Como são muitos escritores, alguns têm mais habilidade para prender o leitor, enquanto outros acabam tornando o capítulo mais arrastado. Confesso que teve momentos bem enfadonhos, páginas que se estendiam sem necessidade. Além disso, alguns capítulos parecem funcionar quase como contos isolados, sem conexão direta com o que veio antes ou com o que virá depois. Para quem está acostumado com histórias lineares, pode soar estranho e até diminuir um pouco o ritmo da leitura.

Por outro lado, essa estrutura também é o que dá riqueza ao universo da saga: você nunca sabe que perspectiva vai encontrar no próximo capítulo, o que traz uma sensação de surpresa constante.

No fim das contas, gostei da diversidade de vozes e estilos que a saga traz, mas confesso que essa mesma variedade às vezes me tirou do ritmo. Alguns capítulos brilham, outros se arrastam, e a linha do tempo pode confundir. Ainda assim, a riqueza do universo compensa e deixa aquela curiosidade para continuar lendo.

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Fontes: Informações e imagens retirada do livro e do site Amazon

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2 respostas a “Resenha: O Começo de Tudo (Wild Cards #1), de George R. R. Martin”

  1. Avatar de J. GMS
    J. GMS

    Very good

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